quarta-feira, 19 de junho de 2013

NOVE RAZÕES PARA VOCÊ OUVIR O SEU CORPO



Saber ouvir o corpo significa treinar com mais segurança. Sinais denunciam problemas corriqueiros, como sede, fome e sono. Mas quando o assunto é corrida, o organismo aponta qual a decisão correta de forma mais sutil. Além dos sinais óbvios — que pedem água, comida ou cama —, o corpo pode indicar que precisa de mais foco no treinamento, descansar por uns dias etc. Para desfrutar do que o corpo diz ao corredor, é preciso ouvir, decifrar e aceitar as mensagens.

Bebeu água?
Garganta e pele ressecadas são os sintomas mais óbvios de sede. Mas se não der ouvidos a esses sinais, você pode desenvolver algo mais grave: a desidratação, que pode se manifestar sob a forma de dores de cabeça, fraqueza, cansaço e até aumento da frequência cardíaca. Para evitar esse risco, leve sempre uma garrafinha de água para seus treinos. Se vai para um parque, deixe-a guardada atrás de alguma árvore e beba um pouco a cada passagem por ela — uma atitude simples e que evita vários problemas.
A regrinha do trote
Se você acordou cansado além da conta ou sentiu algum incômodo num dia de treino e não tem certeza se o seu corpo está pronto para correr novamente, adote a “regrinha do trote”. Saia para uma corrida (bem!) leve, de cerca de 20 minutos, e veja como seu corpo responde. Se a dor piorar, ou o cansaço ameaçar consumi-lo, pare na hora e vá se esticar no sofá — seu corpo está pedindo descanso! Já se estiver sentindo-se bem, volte a correr normalmente. “Esse cansaço é natural e costuma surgir principalmente nas semanas de treino pesado. Na maioria das vezes, após um aquecimento mais longo, o corpo dá um sinal positivo e você pode seguir com o exercício programado”, explica o treinador Julio Coelho, da assessoria esportiva que leva seu nome.
Dor simétrica ou assimétrica
Esta regra é bem simples, aplicada aos joelhos e aos músculos. Doeu dos dois lados? O corpo está dizendo que o treino foi duro e que está assimilando toda a carga. Já se apenas o joelho esquerdo “reclamou”, ou a coxa direita fisgou, pode significar o início de uma lesão. “Quando a dor é uma resposta ao estímulo de um treino, normalmente ocorre de forma simétrica. Já aquela dor unilateral pode ser um início de uma lesão”, alerta Julio Coelho. Claro que você não deve levar isso a ferro e fogo, mas entender essa ideia e saber interpretar os incômodos pode ajudar a distinguir uma lesão de uma dor natural do treino.
De olho no cronômetro
Digamos que sua planilha contenha um ou dois treinos intervalados na semana. Um deles prescreve 10x (400 metros em 1min30s). Na hora do treino, os primeiros “tiros” ficam dentro do tempo estipulado. Porém, se no final o seu desempenho caiu, você deve refletir seriamente se não está cansado demais. Em caso positivo, junte suas trouxinhas e vá descansar, sob o risco de uma grande piora. “Num bom programa de treino, até o cansaço está programado para chegar no momento certo. Na maioria das vezes, porém, ele é causado pela falta de concentração do aluno”, explica Julio. Ou seja, se o ritmo caiu, concentre-se ainda mais no próximo “tiro” e veja o que acontece. A solução pode estar aí!
Não subestime as lesões
Dor muscular pode ser um sinal de adaptação do corpo a um novo treinamento, especialmente quando se aumenta o volume e a intensidade dos treinos. Mas não deve fazer parte de sua rotina. Pelo contrário: tem de desaparecer tão logo se adapte à nova intensidade. Já dores nos tendões e nervos são mais sérias e não devem ser vistas como naturais. Por isso, se depois de um longão você sentir aquela “fisgada”, talvez precise de um bom período de recuperação ou tratamento. “Na dúvida, diminua o ritmo e observe o que sente”, recomenda Julio Coelho. “Se for apenas uma dorzinha, essa tática a fará passar depois de um tempo”, garante. Se os sintomas persistirem mesmo depois do repouso, porém, procure um médico.
Tenha paciência
Certas coisas na vida só vêm com a experiência. Deixe a corrida seguir seu rumo e levar seu tempo. Talvez você simplesmente precise cometer alguns errinhos hoje para passar a dar ouvidos ao que seu corpo tem a dizer. E isso, inevitavelmente, vem com o tempo.
Esteja um passo à frente do seu corpo
Somos capazes de prever algumas situações desagradáveis antes de elas acontecerem. Ou você nunca “pressentiu” a chegada de uma gripe? Na corrida, também é possível fazer isso estando atento aos sintomas. “É sinal de sabedoria ouvir o corpo e respeitar quando sentir que ele está realmente cansado. Fique aos sinais e respeite-os!” , avisa o treinador. Portanto, antes de uma lesão iminente, quando seu organismo já dá mostras de cansaço extremo, faça um treino regenerativo, um cross training na bike ergométrica ou simplesmente fique em casa descansando.
Ouça (também) seu treinador
Às vezes você está tão focado no treinamento que não consegue enxergar erros cometidos ao longo da preparação. É exatamente para isso que o treinador está La. Detalhes como a posição dos braços, a postura do tronco e até a largura das passadas – questões que aparentemente não têm importância – podem interferir no desempenho. Ouvir as dicas do técnico e fazer pequenos ajustes pode ajudá-lo a correr melhor e de forma mais econômica, além de evitar lesões.
Invista no autoconhecimento
Algumas atividades ajudam a conhecer melhor o corpo e a ter maior consciência sobre o que se passa dentro da caixa de ossos e músculos. É o caso da ioga, do pilates e até dos alongamentos, exercícios que priorizam movimentos leves e de autoconhecimento corporal e que, de quebra, nos dão melhor equilíbrio e postura para a corrida. “Essas técnicas, quando levadas a sério, sob orientação de um bom profissional, podem auxiliar na adoção de uma boa postura, na prevenção de lesões e, consequentemente, na melhora da performance.” 
(Matéria publicada na Revista O2, edição nº 121, maio de 2013)

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